segunda-feira, 16 de abril de 2012

Blog Prof. Sara Bernardo


A princípio, este blog foi criado com o intuito de conscientizar alunos de uma determinada escola, na qual eu leciono, a utilizarem a internet de uma forma saudável. Com o passar do tempo e constantes divulgações, o publico foi crescendo e passamos a ter visitas constantes de professores. O que direcionou o blog a um novo caminho, o de compartilhar experiências, mas sem perder o cunho educativo.

Hoje, o blog possui alguns seguidores, fieis por sinal, e uma elevadíssima quantidade de visitas por dia (mais de 2000), visto que existem muitos outros blogs e redes sociais disponíveis na rede.

http://profsarabernardo.blogspot.com.br/

Sara Bernardo

Variação do Livro Didático




Essa semana fomos surpreendidos por uma polêmica que atingiu diretamente especialistas da língua portuguesa, professores e estudantes em todo o país. Os principais meios de comunicação discorreram sobre a variação lingüística numa perspectiva preconceituosa e errônea, embora os estudos e mudanças acerca da variação já seja fato aceito desde 1997 pelo MEC, com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs).
A indignação dos lingüistas foi também publicada em alguns meios de comunicação. Jornalistas utilizaram do poder de influência da mídia para disseminar o preconceito lingüístico, embasado em argumentos que modificaram a proposta da autora Heloísa Ramos, que é de aceitação da variação linguística, distorceram a idéia da mesma levando vários telespectadores a imaginar que seria o “fim da gramática normativa”.

No seu discurso, o gramático Sérgio Nogueira, exemplifica sua posição ao utilizar o quadro “Soletrando” como amostra de domínio do uso da gramática. Porém, o programa utiliza verbetes de dicionários para supor o que seria a utilização da norma culta. Uma constatação equivocada, pois o quadro leva os alunos apenas a decorarem palavras e regras ortográficas que não são utilizadas pelos mesmos no dia-a-dia.

Já o jornalista Alexandre Garcia, no ápice de sua ira, acabou por chamar a todos as pessoas que não escrevem de “animais”. Bom, esse comentário fala por si. Além de preconceituoso, é de péssimo gosto e faz com que tenhamos uma imagem bem negativa desses profissionais que nos levam informações todos os dias. Não deve ser a toa que temos vários jornalistas formados voltando à sala de aula, para aprenderem a usar corretamente a norma padrão.

Contudo, espera-se que essa discussão nos leve a mais um passo na evolução linguística do país e que essa problemática seja abordada por especialistas de ambos os lados. Para que assim reconheça-se a existência de variações linguísticas e que o preconceito seja abolido da nossa língua.


Copyright © 2011 Todos os direitos reservados a  Carolina Peixinho, Sara Bernardo em  12 de setembro de 2011.

Trabalhar ou estudar... Eis a questão!





O que fazer para modificar a realidade dos jovens e adolescentes dos nossos dias? Onde estaria a solução para um problema que cresce desenfreadamente?

A educação é uma arma muito poderosa, mas a falta de estrutura e meios, que provém do governo no qual somos submetidos, fazem com que a maior parte da população seja impedida de progredir.

A grande maioria não tem chance de evoluir intelectualmente, algumas vezes por falta de incentivo e interesse, outras pela existência da necessidade de sobrevivência. Sem trabalhar, as pessoas ficam impossibilitadas de se manterem e, consequentemente, de sobreviver. Assim, tem-se de fazer uma escolha: ou trabalho, ou estudo.

Só estudar não é viável a pessoas pertencentes a classes menos favorecidas, porque, além das necessidades financeiras existe a falta de orientação, e às vezes até de consciência mesmo, que levam a pessoas a formarem família muito cedo, o que impossibilita, quase que totalmente, um provável crescimento profissional e a mudança da sua própria realidade. Porém, apenas trabalhar, faz do cidadão apenas um degrau para quem já está em uma situação mais privilegiada e o mesmo continua a viver estagnado socialmente.

A mudança de uma determinada realidade está diretamente ligada aos esforços do sujeito. Se existe força de vontade, possibilidade de trabalho e estudo respectivamente, ótimo, tem-se 50% de chances de evolução financeira e intelectual; apenas o estudo, nos dias atuais, é opção só para quem já possui um determinado nível social de vida, sendo assim, inviável a classes desfavorecidas; e, finalmente, apenas o trabalho, que não é a opção da maioria, mas imposição da sociedade e do sistema para se ter o título de “cidadão digno”, o que leva o trabalhador a ser apenas um meio de crescimento social alheio.

Segundo Giiannotti, professor aposentado da faculdade de letras, filosofia e ciências humanas da USP: “O importante da educação não é apenas formar um mercado de trabalho, mas formar uma nação, com gente capaz de pensar.” O pensamento muda o mundo, mas, infelizmente, para muitos poderosos do nosso tempo, pensar é prejudicial à política e estudar nos leva a pensar. Resta-nos apenas seguir o conselho da ex- prefeita de São Paulo, Martha Suplicy, “relaxar a gozar”, assim, tornamo-nos apenas meros reprodutores de futuros eleitores para a sociedade que vive da política no nosso país.

Injusto não? Porém, real...               

Copyright © 2011 Todos os direitos reservados a Sara Bernardo em  12 de setembro de 2011

Enem, até onde rendimentos?





Na ultima segunda feira, dia 12, foi divulgado o rendimento das instituições de ensino de todo o país no exame nacional do ensino médio (ENEM). Ao observar os resultados cria-se uma indignação quanto ao descaso do governo quando se fala de educação.

Enquanto os telejornais exaltam o melhor desempenho dos alunos nos últimos anos, vemos o quanto a ensino público é defasado e abandonado, principalmente quando falamos de ensino fundamental e médio, que além de possuir o pior índice de resultados, contrasta de uma forma gritante com o ensino privado. São apenas 13 escolas públicas dentre as 100 melhores do país na média do Enem, segundo a avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP).

Outro fator que atrai a atenção é a mais insatisfatória média dentre as escolas da Bahia - localizada no município de Casa Nova, norte do estado - ter por problema influenciador, citado pelos estudantes da mesma, a falta de uma biblioteca. Percebe-se assim a consciência da importância da leitura no desenvolvimento da escrita e da interpretação textual, o que é uma exigência básica para a avaliação do Ministério da Educação no Enem, e que o ensino público tem deixado a desejar, gerando, consequentemente, estudantes com dificuldades nesses aspectos.

Apesar de tanta insatisfação ao analisar os resultados da avaliação de aprendizagem no país, é possível enxergar um diferencial, uma luz no final do túnel: Existe uma escola que aparece por portar uma classificação ruim na prova (a pior do Enem 2011), mas que possui uma proposta que deveria ser abraçada por todo o país. Uma escola indígena, do interior de São Paulo é uma instituição, que podemos assim denominar não pela infra-estrutura ou organização governamental, mas pela grandeza de sua proposta, que apesar da falta de recursos (internet, biblioteca, livros e revistas...) e de seus alunos não saberem nem mesmo suas médias pela falta de computadores, aplica como disciplina aulas de cultura indígena. O que leva seus estudantes a manter viva a riqueza cultural do povo brasileiro.

Fica aqui, apesar da indignação por possuirmos uma educação tão desigual, a esperança de que ainda existem educadores capazes de fazer a diferença, mesmo que essa não seja reconhecida pelos “Enems” da vida.

Copyright © 2011 Todos os direitos reservados a Sara Bernardo em 13 de setembro de 2011